Pride 2016

No próximo dia 2 de Julho realiza-se a Marcha LGBTQ+ 2016 no Porto, pelas 15horas com início na Praça da República.

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Este movimento começou por se chamar GLS (gays, lésbicas e simpatizantes) que mais tarde evoluiu para LGBT (lesbicas, gays, bissexuais, transsexuais e transgéneros). Hoje, usa as siglas LGBTQIAPD ou LGBTQ+ , um termo muito mais abrangente que envolve lésbicas, gays, bissexuais, transsexuais, trânsgeneros, queer, interssexuais, assexuais, panssexuais e demissexuais.

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A marcha surgiu em Stonewall, quando, na década de 60, um bar frequentado por gays e lésbicas foi invadido pela polícia. Inocentes foram agredidos e presos, o que revoltou a comunidade. Nesse mesmo ano, em 28 de Junho mais de 2000 pessoas invadiram as ruas como protesto ao acontecimento. Desde então o dia 28 de Junho é o dia oficial do orgulho gay e nesse mesmo mês são organizadas paradas e marchas por todo o mundo.

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Imagem do filme “Stonewall”

Qual o significado da marcha LGBTQ+ e porque é importante?

A parada tem como objectivo conscientizar as pessoas da diversidade existente na sociedade e que todos merecem, para além de respeito, os mesmos direitos.

A marcha LGBTQ+ é também um espaço de visibilidade das comunidade não heterossexual e onde todos nos sentimos seguros e apoiados.  Vamos mostrar a todos que estamos aqui prontos para lutar pelos nossos direitos e que ninguém nos vai impedir… ao mesmo tempo que celebramos o amor e a diversidade.

É um evento contra a LGBTQ+fobia que infelizmente ainda faz parte do nosso coitidiano.

Este ano é principalmente importante, depois do ataque lgbtfóbico em Orlando, que nos mostrou que o ódio ainda consegue vencer ao amor.

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LISBOA 2016

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COLOMBIA 2016

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BRASIL 2016

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ÍNDIA Dezembro 2016

Em breve no Porto. Apareçam. São todos bem vindos.

Contra a discriminação.

Pela igualdade.

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A culpa

Lembro-me daquele dia na escola em que fui convidada para participar naquele jogo divertido.

Não era suposto fazer mal, não era suposto fazer sentido.

Era só um jogo… divertido.


Afinal não era só um jogo.

Ou pelo menos não para eles.

Talvez uma tentativa de atear o fogo?



Foi uma “cilada”.

A que um dia me encheu de lágrimas … 

E hoje me dá poder!



São as experiências que nos fazem erguer, corrigir os erros e aprender.

São estas “ciladas” que nos dão poder, porque nos fazem crescer.


Eu era apenas uma adolescência na descoberta do meu corpo. 

Era desinibida e inocente. Inocente apenas no sentido em que achava que podia fazer e dizer o que quisesse sem consequências. 

Não enxergava o mundo como hoje. Via-o pacífico e sem preconceito.

Então pronto… eu e umas amigas decidimos ir jogar um jogo com (na maioria) rapazes da nossa turma. 


– Muito resumidamente, o jogo consiste em dar beijos e essas coisas de adolescente dos anos 90 –



A “cilada” capturou-me num ápice.

Bastou uns beijos e uns apalpões.

E ela torturou-me durante anos.


Primeiro foram eles…

Depois vieram elas…


Como se aquilo resumisse tudo o que eu sou… tudo o que eu algum dia fui.

Como se aquele jogo, aquela brincadeira, aquele acto de pura liberdade, fizesse de mim menos digna.


Eu era a puta, eu era a vaca.

Eu era aquela que todos olhavam de lado…

Todos queriam foder, mas ninguém queria amar.


Provavelmente achavam-me promíscua…

Mas a criança ainda nem sequer sabia se gostava de homens ou mulheres!

Eu nem sequer sabia que podia simplesmente nunca vir a amar… ou amar múltiplas vezes ou múltiplas pessoas.



A culpa transformou a minha mente.

Ela mudou o meu corpo.

Conseguiu apoderar-se de mim de maneira a que as minhas acções e atitudes fossem sempre ao seu encontro.


A culpa.

Ela gere a nossa vida.

Faz-te sentir menor.

Faz-te habituar a sentir sofrida.


Habituar ao sentimento

De que tudo o que sentes por dentro 

Faz de ti o julgamento



Essa culpa parecia infinita mas um dia começou a desvanecer e hoje ela já não mora cá dentro.

Vocês que um dia me transformaram num ser pequeno e quebrado, contribuíram para que hoje, esse ser esteja composto e reforçado. 



Hoje luto para que mais nenhuma menina se sinta culpada. 

Luto para que eles nunca mais nos julguem. 

Para que eles não nos acusem. 

Para que eles não nos culpem.

Para que eles não nos violem.

Para que eles não nos agridam.

Para que eles não nos matem.


Hoje luto pela morte do machismo.


Porque foi ele que me fez sentir culpada.


E foi o feminismo que matou a minha culpa.




UmaCabeleireiraFeminista

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Juntas

Mana dá-me a mão

vem comigo caminhar

Não olhes para o chão

Pra frente deves olhar

 

Gritamos em conjunto

sentimos a mesma dor

amiga vamos junto

partilhar o nosso amor

 

A luta continua

para toda a mulher

e se eu quiser ir nua

ele não mete a colher

Contigo não tenho medo

Contigo eu estou segura

Contigo de mãos dadas

Eu travo esta luta dura

 

Mana do coração

Vens comigo caminhar

Não olhamos para o chão

Para a frente é o lugar

 

UmaCabeleireiraFeminista

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O estereótipo que magoa

Mais um dia no salão, mais uma reflexão…

Sou sempre a favor da liberdade de escolha, principalmente no que diz respeito às crianças. Acho que só assim aprenderão a tomar decisões e a viver com elas. Vejo, no entanto, muitos pais e mães que obrigam os filhos a fazer certas coisas. E não estou a falar de coisas obviamente obrigatórias, tipo ir para a escola, mas de coisas básicas, como cortar o cabelo.

Ontem no salão uma mãe levou a filha, que devia ter aproximadamente 6 anos, para cortar o cabelo. Enquanto esperavam ouvi algumas conversas entre ambas e era óbvio o desagrado e a tristeza da menina que não queria, de todo, cortar o cabelo.

Antes do corte a menina especificou à mãe que queria cortar apenas as pontas, no entanto e entre dentes, a mãe pediu à cabeleireira para cortar o cabelo pelos ombros.

Deu-se de seguida um pranto de lágrimas que só desvaneceu dos meus ouvidos à medida que as duas foram saindo porta fora…

A tristeza da criança era dolorosa de assistir.

 Consegui notar no seu olhar o quanto aquilo a magoou… O quanto ela odiou a mãe (e a cabeleireira) naquele momento… O quanto aquilo a marcou para a vida… E marcou mesmo, acreditem!

Como cabeleireira assisto muitas vezes a raparigas com 17, 18 anos e até bem mais de 20 que se recusam a cortar o cabelo devida a experiências de infância. Acho que todas(os) nós conhecemos alguém assim.

No decorrer deste acontecimento, e como feminista que sou, muitas foram as questões que me passaram pela cabeça.

Acredito que naquele momento aquela menina estivesse a sentir que estava a perder a sua feminilidade… que deixou de ser bonita… que parece um rapaz. 

E porquê?

Porque, provavelmente, a mesma mãe que hoje a obriga a cortar o cabelo, ontem, e durante toda a infância a ensinou a saber “ser uma menina”, “parecer uma menina”, “agir como uma menina” .

Se o estereótipo de menina bonita e perfeita não estivesse na cabeça da criança, a reacção talvez não fosse esta… talvez ela própria quisesse cortar o cabelo! Como eu quis!

Porque o nosso aspecto não define quem nós somos, não define o nosso género e muito menos a nossa sexualidade!

Porque todos os pais e mães deviam ensinar os filhos a ser seres humanos e apenas isso!

Porque a igualdade provém da desconstrução desde a infância!

Porque a igualdade nos dá liberdade!

Porque ainda precisamos de lutar!

UmaCabeleireiraFeminista

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O meu passado gordofóbico

Todos nós temos um passado do qual nos envergonhamos mas que, certamente serviu, para o nosso crescimento pessoal e intelectual. Nesse meu passado conturbado e envergonhado está algures a gordofobia.

Por volta dos meus 10 anos, o meu pai morreu e fiquei a viver apenas com a minha mãe e o meu irmão. Calculo que, na sequência de tais acontecimentos, a minha mãe tenha entrado numa depressão. Depressão essa que acredito nunca ter sido curada. 

Os anos passaram e eu comecei a entrar na adolescência… comecei a reparar nos hábitos alimentares de minha casa e na importância que a minha mãe dava à magreza das pessoas. 

Com 13/14 anos o meu estômago estava sempre com fome… só queria comer, principalmente chocolates, batatas fritas e essas “porcarias” (como dizia a minha mae).

Isso tudo eu comia fora de casa, pois sempre que estava a comer demais em frente à minha mãe ela fazia questão de me avisar para parar antes que “ficasse gorda” e depois me “viesse queixar”.

Durante todo este tempo, entre anorexias e bulimías, desprezei os gordos.

O meu maior medo, imaginem só, era ser gorda! 

Para mim ser gordo era nojento e pouco saudável. Achava que os gordos não deviam ter direito a trabalhar em locais públicos nem servir ás mesas pois andam muito devagar. Era aquela que comentava “como é que aquele anda com aquela gorda?” (ou vice versa). 

Eu comentava… toda contente e apoiada, aliás, incentivada e criada assim pela minha mãe. A pessoa que ainda hoje critica a/o gorda/o que está no café a comer um bolo; uma das que acha que o gordo não faz nada, é um parasita da sociedade… que “era mais bonita se fosse mais magra”…

 

Ah, e para quem acha que quem tem amigo gay não é homofóbico: eu tinha amiga gorda e a minha mãe também tem.

 

Hoje sinto-me horrível por algum dia ter sido assim. 

Hoje sei e assisto à gordofobia existente na nossa sociedade e não percebo porque alguém haveria de julgar o outro pelo seu peso. Mas a verdade é que já eu própria o fiz. 

É difícil a desconstrução, mas o primeiro passo será sempre reconhecer para nós próprios e encarar a realidade. Desconstruir mitos, entender o oprimido e educar o opressor.

 

Se eu consegui, qualquer um pode conseguir… basta querer!

 

Pela minha mãe, peço desculpa. E pelo meu passado também.

 

UmaCabeleireiraFeminista

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Por todas elas. Por todas nós.

 

Uma rapariga foi violada por mais de 30 homens.
Uma adolescente.
No Brasil.
Era prostituta.
Não sei porquê isso tornou-se a desculpa.
O vídeo do acto foi divulgado na internet.
Milhares de homens nojentos partilharam (e algumas mulheres também).
Ela era toxicodependente.
Era prostituta.
Dizem que gostou.
Mas a verdade é que aquilo foi uma violação.
Nao percebem a diferença entre sexo consentido e uma violação.
É por isso que o mundo está empregnado de machismo.
É por isso que justiça não é feita.
Mais uma vez…a culpa é da vítima.
Por isso é que ainda precisamos de lutar!

Em todo o mundo estão a ser organizadas manifestações.
No Brasil já começaram. Em Portugal vão começar.
Conto com voces todas(os) dia 1/6 no Porto para lutar contra a cultura do estupro, contra o machismo, por todas elas e por todas nós.
Por um mundo feminista!
Um #junhofeminista.